Afinal, o que é essa tal economia colaborativa e o que você tem a ver com tudo isso?

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Provavelmente, em algum momento, você já viveu, viu ou ouviu situações como essas:

Ao escolher seu destino de férias, você decide alugar um quarto na casa de alguém desconhecido, mas onde a oferta de preço e valor se tornou mais atraente do que aquela pousada ou hotel de outros tempos.

Ou, ainda, decide “trocar” sua hospedagem oferecendo seus serviços e habilidades ao anfitrião.

Outra cena: você decide usar um aplicativo para solicitar o serviço de um motorista particular para te levar até o seu destino com o conforto, segurança e eficiência. Onde, ainda, ao final você contribui aplicando uma nota ao serviço, garantindo confiabilidade a quem utiliza dessa plataforma de serviço.

Ou ainda: você faz uma busca, novamente através de um aplicativo, por alguém, que more perto de você (sim, estamos falando daquele vizinho que talvez você ainda nem conheça), que possua uma furadeira e que possa lhe emprestar para que você, finalmente, coloque aquela prateleira no lugar.

E assim, poderíamos seguir citando o caso de pessoas que podem “hospedar” seu cãozinho enquanto você viaja, pessoas que disponibilizam seus próprios veículos, que ficam às vezes ociosos na garagem, para qualquer um que precise por algumas horas ou dias…

Enfim, exemplos que demonstram que estamos recriando uma nova economia não faltam, e se você se identificou com alguma dessas situações acima, avance uma casa e siga adiante:

Pronto! Você já faz parte de um grande universo de pessoas que passaram a pensar o consumo de uma forma mais inteligente e sustentável.

Situações como essas só se tornaram possíveis, nessa era pós industrial, através da grande evolução tecnológica que possibilitou que pessoas com interesses e, principalmente, insatisfações em comuns se mobilizem através de um esforço coletivo para criar e repensar em soluções que resultam em ações que geram um valor compartilhado.

Mas, calma, o jogo está só começando e para que você avance um pouco mais, conhecendo, participando e, por que não, agindo pró ativamente à favor dessa grande revolução, vamos falar aqui dessa mudança nas relações de consumo de produtos e serviços, abordando conceitos que passaram a fazer parte do repertório, das atitudes e iniciativas de milhares de pessoas que adotaram a colaboração como um estilo de vida.

Consumo consciente, Economia de compartilhamento, empreendedorismo social, cultura maker, Coworking, crowdsourcing, crowdfunding…

Essa tomada de consciência acontece, exatamente, no momento em que o mundo todo passa por uma revisão de valores, onde se percebe, ainda que tardiamente, que os recursos, até então tidos como abundantes, são finitos.

Pode se dizer que, após a crise em 2008 que atingiu alguns países do bloco economicamente estável da economia mundial, principalmente os EUA, as pessoas começaram a tomar mais consciência de que o mercado havia chegado a um limite e que modelo industrial de economia, incentivado pela produção e constantes estímulos ao consumo desenfreado não era mais sustentável.

E alguns fatores importantes conduziram a essa busca por um novo modelo econômico: a eminente escassez de recursos ambientais, a recessão global, as novas tecnologias, o crescimento das redes sociais e a resignificação do sentido de coletividade.

Segundo a especialista em economia colaborativa, Rachel Botsman, a economia compartilhada contempla 3 possíveis tipos de sistemas:

1. Produtos e serviços compartilhados ou shared products and services: ocorre quando possuir um bem é menos importante do que o benefício que ele proporciona. Ou seja, o que você precisa é do benefício do produto e não do produto em si. Um exemplo clássico disso é o da furadeira: o que precisamos é de um buraco na parede e não de adquirir uma furadeira. E isso se aplica para carros, bicicletas ou quaisquer outros bens que tem sua capacidade de uso ociosa em algum momento.


2. Mercados de redistribuição ou redistribution markets: é quando você aluga um bem, gerando renda a quem disponibiliza, e a quem precisa de um produto ou serviço. Mas não é só a possibilidade de fazer uma grana extra que impulsiona esse tipo de iniciativa, mas também a experiência que esse tipo de compartilhamento pode gerar. Quando você aluga um quarto, até então ocioso, você não somente está gerando renda ou economia para quem aluga, mas está, principalmente, se permitindo conhecer pessoas, trocar experiências e fazer novas amizades.


3. Estilo de vida colaborativos ou collaborative lifestyle: são todas as iniciativas de pessoas que fomentam um estilo de vida colaborativo, através da troca, doação ou compartilhamento de recursos como conhecimento, tempo, habilidades e até dinheiro. Um exemplo disso são as plataformas de Couchsurfing, onde as pessoas cedem seus sofás, sem receber nada em troca, a estranhos viajantes do mundo inteiro, pelo simples prazer de conhecer, interagir e trocar experiências.

Outro exemplo são os Crowdfundings, que são as plataformas que as pessoas se utilizam para divulgarem e falarem de seus projetos (que pode ser desde o lançamento de um livro ou um projeto de fins sociais) em busca de contribuições financeiras, dentro de um prazo determinado, que possa viabilizar a concretização do seu projeto. Em “troca” disso, quem contribui pode receber uma recompensa oferecida pelo autor do projeto.

E assim a economia compartilhada cresce a cada dia, por todo o mundo, permitindo que as pessoas adquiram um novo estilo de vida, sem precisar adquirir mais. E isso impacta, positivamente, não só no bolso, mas, também e principalmente, na sustentabilidade do planeta.

Essa mudança de paradigma, de que você não precisa TER para SER, vem mudando significativamente as relações de consumo no mundo inteiro.

Os bens “duráveis”, que na verdade, foram feitos pra não durar, fazem parte de um ciclo de obsolescência programada onde você é estimulado a consumir cada vez mais.

Qual será o futuro das indústrias automobilísticas, e aqui falamos de toda a cadeia produtiva, como montadoras, oficinas mecânicas, postos de gasolina, seguradoras de veículos, se as pessoas tomarem cada vez mais consciência de que não precisam de carros pra se locomover?

E o impacto dessa nova realidade é que empresas, organizações e instituições estão sendo forçadas a repensar suas formas de fazer negócios.

O colapso emergente de alguns setores de serviços e produtos já demonstra que a economia colaborativa não é o futuro, ela já está acontecendo aqui e agora.

Essa mudança no paradigma das relações de consumo, substituindo a posse do bem, pelo benefício que ele nos proporciona, já é capaz de gerar riqueza e valores mensuráveis que apontam um crescimento dessa chamada indústria criativa através do surgimento de ações e projetos, com fins lucrativos, mas que geram impactos positivos à sociedade e ao meio ambiente.

Estima se que em 2015 a receita anual global do setor seja de US$ 15 bilhões e a previsão é de que em 2025 esse número saltará para US$ 335 bilhões, segundo fontes da consultoria Price Waterhouse Coopers.

E nessa nova dinâmica, não se trata apenas de discutir e avaliar a escassez de recursos finitos, mas sim, de ver surgirem possibilidades e oportunidades para toda ordem de novos negócios criativos e de startups que se utilizam de recursos abundantes e inesgotáveis como criatividade, conhecimento, novas redes e tecnologias.

A economia de compartilhamento não é um modismo, ela veio pra ficar, e pra nos recolocar no centro de uma mudança de comportamento, onde valores como reputação, cidadania, solidariedade e senso de pertencimento a uma comunidade são resgatados numa escala nunca antes imaginada.

Nós, brasileiros, já temos o DNA da colaboração e do empreendedorismo, e não precisamos mais esperar que essa revolução afete nossas vidas, de forma indireta, através das ações do “outro”.

Podemos estar em qualquer parte do mundo, unidos e conectados por interesses comuns, encurtando distâncias, somando ações e multiplicando esse impacto positivo no mundo em que vivemos.

E se estamos aqui do outro lado dele, se atravessamos o oceano em busca de uma vida melhor, já podemos nos considerar empreendedores da nossa própria vida.

A minha intenção é aproximar pessoas a projetos, divulgando essa nova economia, que se multiplica pelo Brasil e pelo mundo, proporcionando o empoderamento de pessoas como eu, como você, e tantas outras que querem deixar como legado um mundo melhor para se viver.

Power to the people!

 

Delza Carvalho
Sydney, Novembro/2015

 


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There are 2 comments

  1. Otávio Maia

    Para os liberais e libertários, a tal economia compartilhada como o artigo chama… nada mais é que economia de livre mercado defendida e incentivada pela literatura, pensadores e filósofos liberais/libertários onde o papel do estado regular e conceder privilégios para grandes grupos financeiros cada vez menos tem relevância, e o individuo se evidencia na economia, economia compartilhada é so um nome modinha, o termo correto é livre mercado mesmo.

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