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Será que é preciso, mesmo, ter dinheiro para empreender? E se eu te disser que não?

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Em tempos de economia globalizada, países emergindo, outros perdendo a potência, o mundo passando por uma grande transformação, e principalmente, por uma grande revolução, afirmar isso poderá fazer alguns pensarem que me falta sanidade.

Mas, como já dizia, o maior e melhor comunicador que o nosso Brasil já teve, o saudoso Abelardo Barbosa, vulgo Chacrinha:

eu não vim aqui pra explicar, vim aqui pra confundir”.

Mas entenda por confundir, não o embaralhamento das idéias, mas como uma provocação para que você comece a perceber o mundo através de uma nova ótica, que só se torna possível, quando começamos a vê lo sob uma outra dimensão, ou várias…

Confundi você? Calma, estamos só começando…

Estamos passando por um momento de transição, e quanto a isso, não há a menor dúvida. E até já virou clichê falar que o MUNDO MUDOU, todos falam isso ou disso.

Mas não me refiro aqui somente às mudanças ou conflitos que afetam o mundo: política, econômica, ambientais…

As pessoas estão cada vez mais se dando conta de que a maior transformação está acontecendo em suas próprias vidas: emprego, carreira, dinheiro, sucesso, vida estável, já não formam mais os pilares que sustentaram a vida de gerações passadas.

A tão falada, estudada, e até criticada por alguns, geração Y ou Millennials, os nascidos entre 1980 e 1996 (e que hoje estão na faixa de 18 a 34 anos) representam, hoje, cerca de 2 bilhões de pessoas no mundo. E eles estão aí, por toda parte, pra nos lembrar, nos mostrar, e quem diria , até nos ensinar, que, de fato, o MUNDO MUDOU. Ou será que estamos (nós e eles) mudando esse mundo?

E vejo que tem muita gente, da turma que já passou dos 30 há um bom tempo, entendendo a lição e fazendo o dever de casa.

Para essa geração, a felicidade não ser resume mais a atingir um status na carreira ou à conquista de bens materiais. Um carrão na garagem, uma casa confortável no condomínio (fechado) e uns (poucos) dias de férias com a família num resort, não mais sintetizam seus ideais de vida.

Essa geração, que está literalmente, mudando e, principalmente, desbravando o mundo deseja mais que isso, ou melhor, não deseja nada disso.

Nunca se falou tanto em busca de propósitos, em resignificar a vida, dar um novo sentido à existência…

E, é exatamente, a partir desse ponto que devemos começar a ver o mundo com os tais óculos de múltiplas dimensões (3D já é coisa quase ultrapassada do nosso passado recente).

Pois é nessa transição ou mudança de paradigma, como preferir, que estamos recriando uma nova forma de viver, de consumir, de empreender e de gerir novos (e velhos) negócios.

E assim, vão surgindo cada vez mais novas formas de se relacionar e de fazer negócios através de novas estruturas organizacionais criadas, ou melhor, co-criadas, por pessoas que entenderam, e nos fazem acreditar, que estamos vivendo mesmo uma era de mudanças, ou será uma mudança de era?

Os antigos anúncios de emprego foram, hoje, substituídos por verdadeiros “chamados” assim:

 

“PROCURAMOS: os criativos, os talentosos, os inovadores, os irreverentes e os ousados. Queremos reunir todos aqueles que correm atrás do que acreditam, aqueles que podem mais e que não querem viver um futuro rotulado. Porque são esses que não cansam de tentar, que nunca desistem e que sabem o poder de uma grande idéia.

QUEREMOS esses, porque somente esses têm a ambição e a vontade de se reinventar e mudar o mundo com suas atitudes.”

 

Segundo, Camila Haddad, uma das co fundadoras da plataforma Cinese, e como ela mesma se define, ”entusiasta de movimentos colaborativos”:

Nesse cenário, não basta fazermos novas escolhas de consumo. Não basta trabalharmos com propósito ou sermos as pessoas que vão ofertar novos produtos e serviços, mais justos e sustentáveis. Nada disso basta se seguirmos interpretando o mundo pelos mesmos óculos. Para nos libertarmos de um modelo econômico que destrói a natureza e nos afasta de toda e qualquer conexão significativa, temos que nos libertar de suas premissas. A liberdade não reside na escolha de consumo (“o que consumir?”), nem de produção (“com o que trabalhar?”), mas na escolha de como fazê-los.”

E assim, surgem novas formas de empreender, numa lógica, quase simplista de que é preciso apenas desejo (é ele que nos impulsiona), vontade (de querer ser o agente dessa transformação) e iniciativa (de colocar a “mão na massa”).

As estruturas centralizadas e hierarquizadas estão cedendo lugar a estruturas distribuídas e horizontais. As equipes (onde você não tem a chance de escolher com quem vai trabalhar) vem sendo substituídas por um time de pessoas que se unem por propósitos em comum. As tarefas rotineiras e obrigatórias cederão lugar a projetos que poderão te conectar a pessoas que escolheram o mesmo que você. As novas lideranças serão circunstanciais e quase invisíveis, e você será guiado pelo resultado das ações que gerar.

Esse novo sistema além de dinâmico e livre das amarras que nos aprisionaram por um longo tempo, como: contratos de trabalho, chefias que muitas vezes não são capazes de liderar, jornadas de trabalho, que para alguns, não fazem o menor sentido, proporcionará às pessoas se redescobrirem em várias outras “funções” ou atividades, que por mais “nada a ver” que possam parecer, fazem total sentido pra elas.

E tudo isso dependerá do que você quer fazer, com quem quer fazer, de como pretende fazer, e pelo tempo que aquilo fizer sentido pra você.

Você pode ser o que você quiser, de onde quiser (ou vai dizer que nunca ouviu falar dos nômades digitais?), nas horas que quiser ou achar melhor (dizem que os mais criativos são, também, insones), ter no seu time os melhores profissionais que você conhece ou irá conhecer (lembre se que você os escolheu ou foi por eles escolhido pra estar ali), sem ter, contudo, que pagar lhes os melhores salários (pois afinal, todos estão ali porque acreditam no mesmo que você), e ter como “patrão” o seu propósito e o seu legado.

O que esses projetos, negócios, organizações e movimentos têm em comum é a horizontalidade e a colaboração. Eles estão surgindo e se alastrando ao redor do mundo em ritmo acelerado. Se ainda são invisíveis ou parecem irrelevantes para olhares céticos, é exatamente porque eles não seguem o padrão engessado das velhas instituições. Porém, é assim que eles são capazes de transformar nosso olhar sobre a economia, a política, a sociedade, e as nossas vidas. A revolução é silenciosa.” Finaliza, com sabedoria, Camila Haddad.

Numa coisa vamos combinar: essa geração tem mesmo muito a nos ensinar…

Delza Carvalho
Sydney, Dezembro/2015

Leia também: Afinal, o que é essa tal economia colaborativa e o que você tem a ver com tudo isso?

 

 


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Afinal, o que é essa tal economia colaborativa e o que você tem a ver com tudo isso?

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Provavelmente, em algum momento, você já viveu, viu ou ouviu situações como essas:

Ao escolher seu destino de férias, você decide alugar um quarto na casa de alguém desconhecido, mas onde a oferta de preço e valor se tornou mais atraente do que aquela pousada ou hotel de outros tempos.

Ou, ainda, decide “trocar” sua hospedagem oferecendo seus serviços e habilidades ao anfitrião.

Outra cena: você decide usar um aplicativo para solicitar o serviço de um motorista particular para te levar até o seu destino com o conforto, segurança e eficiência. Onde, ainda, ao final você contribui aplicando uma nota ao serviço, garantindo confiabilidade a quem utiliza dessa plataforma de serviço.

Ou ainda: você faz uma busca, novamente através de um aplicativo, por alguém, que more perto de você (sim, estamos falando daquele vizinho que talvez você ainda nem conheça), que possua uma furadeira e que possa lhe emprestar para que você, finalmente, coloque aquela prateleira no lugar.

E assim, poderíamos seguir citando o caso de pessoas que podem “hospedar” seu cãozinho enquanto você viaja, pessoas que disponibilizam seus próprios veículos, que ficam às vezes ociosos na garagem, para qualquer um que precise por algumas horas ou dias…

Enfim, exemplos que demonstram que estamos recriando uma nova economia não faltam, e se você se identificou com alguma dessas situações acima, avance uma casa e siga adiante:

Pronto! Você já faz parte de um grande universo de pessoas que passaram a pensar o consumo de uma forma mais inteligente e sustentável.

Situações como essas só se tornaram possíveis, nessa era pós industrial, através da grande evolução tecnológica que possibilitou que pessoas com interesses e, principalmente, insatisfações em comuns se mobilizem através de um esforço coletivo para criar e repensar em soluções que resultam em ações que geram um valor compartilhado.

Mas, calma, o jogo está só começando e para que você avance um pouco mais, conhecendo, participando e, por que não, agindo pró ativamente à favor dessa grande revolução, vamos falar aqui dessa mudança nas relações de consumo de produtos e serviços, abordando conceitos que passaram a fazer parte do repertório, das atitudes e iniciativas de milhares de pessoas que adotaram a colaboração como um estilo de vida.

Consumo consciente, Economia de compartilhamento, empreendedorismo social, cultura maker, Coworking, crowdsourcing, crowdfunding…

Essa tomada de consciência acontece, exatamente, no momento em que o mundo todo passa por uma revisão de valores, onde se percebe, ainda que tardiamente, que os recursos, até então tidos como abundantes, são finitos.

Pode se dizer que, após a crise em 2008 que atingiu alguns países do bloco economicamente estável da economia mundial, principalmente os EUA, as pessoas começaram a tomar mais consciência de que o mercado havia chegado a um limite e que modelo industrial de economia, incentivado pela produção e constantes estímulos ao consumo desenfreado não era mais sustentável.

E alguns fatores importantes conduziram a essa busca por um novo modelo econômico: a eminente escassez de recursos ambientais, a recessão global, as novas tecnologias, o crescimento das redes sociais e a resignificação do sentido de coletividade.

Segundo a especialista em economia colaborativa, Rachel Botsman, a economia compartilhada contempla 3 possíveis tipos de sistemas:

1. Produtos e serviços compartilhados ou shared products and services: ocorre quando possuir um bem é menos importante do que o benefício que ele proporciona. Ou seja, o que você precisa é do benefício do produto e não do produto em si. Um exemplo clássico disso é o da furadeira: o que precisamos é de um buraco na parede e não de adquirir uma furadeira. E isso se aplica para carros, bicicletas ou quaisquer outros bens que tem sua capacidade de uso ociosa em algum momento.


2. Mercados de redistribuição ou redistribution markets: é quando você aluga um bem, gerando renda a quem disponibiliza, e a quem precisa de um produto ou serviço. Mas não é só a possibilidade de fazer uma grana extra que impulsiona esse tipo de iniciativa, mas também a experiência que esse tipo de compartilhamento pode gerar. Quando você aluga um quarto, até então ocioso, você não somente está gerando renda ou economia para quem aluga, mas está, principalmente, se permitindo conhecer pessoas, trocar experiências e fazer novas amizades.


3. Estilo de vida colaborativos ou collaborative lifestyle: são todas as iniciativas de pessoas que fomentam um estilo de vida colaborativo, através da troca, doação ou compartilhamento de recursos como conhecimento, tempo, habilidades e até dinheiro. Um exemplo disso são as plataformas de Couchsurfing, onde as pessoas cedem seus sofás, sem receber nada em troca, a estranhos viajantes do mundo inteiro, pelo simples prazer de conhecer, interagir e trocar experiências.

Outro exemplo são os Crowdfundings, que são as plataformas que as pessoas se utilizam para divulgarem e falarem de seus projetos (que pode ser desde o lançamento de um livro ou um projeto de fins sociais) em busca de contribuições financeiras, dentro de um prazo determinado, que possa viabilizar a concretização do seu projeto. Em “troca” disso, quem contribui pode receber uma recompensa oferecida pelo autor do projeto.

E assim a economia compartilhada cresce a cada dia, por todo o mundo, permitindo que as pessoas adquiram um novo estilo de vida, sem precisar adquirir mais. E isso impacta, positivamente, não só no bolso, mas, também e principalmente, na sustentabilidade do planeta.

Essa mudança de paradigma, de que você não precisa TER para SER, vem mudando significativamente as relações de consumo no mundo inteiro.

Os bens “duráveis”, que na verdade, foram feitos pra não durar, fazem parte de um ciclo de obsolescência programada onde você é estimulado a consumir cada vez mais.

Qual será o futuro das indústrias automobilísticas, e aqui falamos de toda a cadeia produtiva, como montadoras, oficinas mecânicas, postos de gasolina, seguradoras de veículos, se as pessoas tomarem cada vez mais consciência de que não precisam de carros pra se locomover?

E o impacto dessa nova realidade é que empresas, organizações e instituições estão sendo forçadas a repensar suas formas de fazer negócios.

O colapso emergente de alguns setores de serviços e produtos já demonstra que a economia colaborativa não é o futuro, ela já está acontecendo aqui e agora.

Essa mudança no paradigma das relações de consumo, substituindo a posse do bem, pelo benefício que ele nos proporciona, já é capaz de gerar riqueza e valores mensuráveis que apontam um crescimento dessa chamada indústria criativa através do surgimento de ações e projetos, com fins lucrativos, mas que geram impactos positivos à sociedade e ao meio ambiente.

Estima se que em 2015 a receita anual global do setor seja de US$ 15 bilhões e a previsão é de que em 2025 esse número saltará para US$ 335 bilhões, segundo fontes da consultoria Price Waterhouse Coopers.

E nessa nova dinâmica, não se trata apenas de discutir e avaliar a escassez de recursos finitos, mas sim, de ver surgirem possibilidades e oportunidades para toda ordem de novos negócios criativos e de startups que se utilizam de recursos abundantes e inesgotáveis como criatividade, conhecimento, novas redes e tecnologias.

A economia de compartilhamento não é um modismo, ela veio pra ficar, e pra nos recolocar no centro de uma mudança de comportamento, onde valores como reputação, cidadania, solidariedade e senso de pertencimento a uma comunidade são resgatados numa escala nunca antes imaginada.

Nós, brasileiros, já temos o DNA da colaboração e do empreendedorismo, e não precisamos mais esperar que essa revolução afete nossas vidas, de forma indireta, através das ações do “outro”.

Podemos estar em qualquer parte do mundo, unidos e conectados por interesses comuns, encurtando distâncias, somando ações e multiplicando esse impacto positivo no mundo em que vivemos.

E se estamos aqui do outro lado dele, se atravessamos o oceano em busca de uma vida melhor, já podemos nos considerar empreendedores da nossa própria vida.

A minha intenção é aproximar pessoas a projetos, divulgando essa nova economia, que se multiplica pelo Brasil e pelo mundo, proporcionando o empoderamento de pessoas como eu, como você, e tantas outras que querem deixar como legado um mundo melhor para se viver.

Power to the people!

 

Delza Carvalho
Sydney, Novembro/2015

 


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